10 brincadeiras que ajudam no desenvolvimento infantil

 

Muitas vezes, nós pais não sabemos brincar com nossos próprios filhos. Nos falta imaginação e acabamos por realizar as mesmas brincadeiras com eles. Aí vão 10 dicas de brincadeiras e atividades, estimulação e diversão!

1- USE A CAMA ELÁSTICA

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A maioria da crianças adora a cama elástica. Mas, às vezes, elas pulam, pulam, pulam, por horas sem parar, e isso não é muito legal. Um estratégia de brincadeira dentro da cama elástica é desenhar, com giz de lousa, vários caminhos que a criança pode ou não pular dentro. Assim, trabalhamos atenção, criatividade e tolerância às regras simples!

 

2- BRINQUE COM TINTA

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Esqueça o pincel e o papel convencional! O sonho de qualquer criança mesmo é se lambuzar de tinta. Use diversos materiais não convencionais, como carrinhos, folhas de árvore, galhos, canudos para brincar com sua criança. Se seu filho utiliza a cadeira de rodas, use-a para fazer desenhos no chão. A tinta é um excelente estímulo sensorial e seu filho jamais vai esquecer esse dia de folia!

 

3- BRINQUE DE ELÁSTICO

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O elástico é um material simples e com muitas funções! Você já brincou de elástico quando criança? É uma brincadeira desafiante que trabalha equilíbrio, coordenação motora e organização espaço-temporal.

 

4- BRINQUE COM LANTERNA

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Outro material fácil e barato para brincar com as crianças! Você pode brincar de esconde-esconde no escuro, fazer sombras com as mãos, colocar papel celofane colorido para trocar de cor. Só nessa brincadeira conseguimos trabalhar o medo do escuro, coordenação fina, cores e estimulação sensorial visual!

 

5- ACERTE O GOL

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Trabalhando coordenação fina de uma maneira divertida, sem utilizar papel e lápis! Com uma bolinha de papel, você pode brincar de dar “petelecos” com os dedos até chegar no gol ou usar um palito para bater na bolinha!

 

6- EXERCICTE-SE COM SEU FILHO(A)

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Você já pensou que, enquanto você brinca com seu filho, você está gastando calorias também? Reserve 15 minutos do seu dia para se dedicar a atividades mais intensas com ele, como brincar de pega-pega no parque ou no quintal, pular juntos, jogar bola. Entre na onda do movimento com seu filho, veja como ele se movimenta e tente copiá-lo. Você vai ver a reação dele! Afinal, é uma ótima ideia juntar diversão com emagrecimento, não é?! Sua saúde agradece!

 

7- BRINQUE COM GIZ

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Brinque de desenhar com giz no muro, no chão, desenhar amarelinha, caracol. Relembre sua infância e coloque novos desafios para o seu filho ou filha. No início, talvez ele resista a essas mudanças. Mas acredite: você estará fazendo um bem danado tirando ele de sua zona de conforto!

 

8- DANCE

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Ligue uma música, junte a família e solte o corpo! Se seu filho for pequeno, vale a pena pegá-lo no colo e fazer com que ele sinta o ritmo da música pelo balanço do seu corpo. Se seu filho utiliza a cadeira de rodas, vale rodar, empurrar, puxar, empinar a cadeira. Ele vai amar, com certeza!

 

9- USE FITAS

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Você pode fazer com tiras de jornal, papel crepom ou tecidos. Vá para o quintal e solte a imaginação! Você estará trabalhando lateralidade e coordenação motora. O nome desse brinquedo é “swing”. Basta você “dar um google” para achar várias maneiras de confeccioná-lo!

 

10- BRINQUE COM O CORPO

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Sim! Você deve ter pensado “haja pique”! Mas, nada mais prazeroso para a criança do que a brincadeira genuína, aquela sem objetivos e resultados, a brincadeira pelo simples fato de se divertir! Esqueça um pouco as metas, sorria, e vá brincar de girar, virar de ponta-cabeça, cócegas, caretas, sons com a boca, rolar juntos. Reserve 5 minutos do seu dia para brincar com sua criança dessa maneira. Você verá como é importante esse contato corporal, visual, emocional. Só tem um probleminha: ela vai querer mais! Afinal, criança se alimenta de movimento!!!

 

Todas as imagens: arquivo pessoal

 

Pamela Spanholeto é educadora física e trabalha com crianças autistas e com outros tipos de deficiências. Contato: pam_spanholeto@hotmail.com

 

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Os problemas com o discurso da “mãe especial”

Você conhece esta cena. Já a viveu várias vezes. Já está acostumada às reações. E sente que ela vai se repetir agora, com a colega da sua amiga à qual você acabou de ser apresentada. É que, no meio da conversa entre as três, por causa de algum contexto específico, você soltou a frase “meu filho é autista”. Ou “meu filho tem Síndrome de Down”. Ou PC. Ou qualquer tipo de deficiência. E agora é a hora de ouvir “você é uma mãe especial”. Ou “você foi escolhida por Deus”. Você também conhece o olhar que acompanha a frase. E o tapinha nas costas que vem junto, invariavelmente.

Pois eu acho que esse discurso tem alguns problemas, e a maioria das pessoas que o utilizam, provavelmente, não tem noção disso. De qualquer forma, acho válido levantar o ponto para que a gente preste atenção no que anda engolindo junto com essa frase, muitas vezes, sem perceber.

“Colega, você é especial. Foi escolhida por Deus. Portanto, deve se resignar ao sofrimento que a sua tarefa (ou fardo) traz no pacote.” 

E, nessa, muita mãe pode cair no conformismo. “O autismo é assim mesmo”. “Isso é coisa do autismo”. E, nessa, pode deixar de ir à luta, se informar mais, entender de fato o autismo do filho, procurar as melhores intervenções pra que ele se desenvolva. Sim, o autismo tá lá. Mas não é assim e acabou. Dá pra melhorar MUITA coisa. Mas nada vai cair no seu colo. Precisa batalhar, buscar informação, correr atrás, bater nas portas.

“Colega, você é especial. Foi escolhida por Deus. Portanto, eu não tenho nada a ver com a sua situação. Se vira aí com o Todo Poderoso.”

E, nessa, o Estado vira as costas, as escolas viram as costas, a sociedade vira as costas. Afinal, ser mãe de criança com deficiência é ter uma vida “especialmente sofrida”. Faz parte. Senta lá, Cláudia.

“Colega, você é especial. Foi escolhida por Deus. Portanto, nada de reclamar. Nada de mimimi. Depressão é frescura. Porque, se Deus te deu essa tarefa, ele sabe que você aguenta.”

E, nessa, muitas mães de crianças com deficiências estão tendo seu cansaço físico e o sofrimento psíquico ignorado, tratado como mimimi, enfiado pra debaixo do tapete. O marido pode entrar em depressão, os avós podem ter gastrite, mas a mãe não pode nem mencionar “preciso ir ao médico”. A mãe tem que ser sempre forte, nunca, jamais, pode desmoronar. Porque ELA É ESPECIAL.

“Colega, você é especial. Porque você tem um filho especial. Ele é tão especial que não temos condições de atendê-lo aqui na escola/natação/curso de idiomas.”

Vai vendo como esse discurso segrega. Quem é especial demais não tem lugar na sociedade, néam?!

“Colega, você é especial. Você sabe lidar com essa situação, com as suas expectativas frustradas. Você é mãe especial, foi escolhida, portanto, vai saber o que fazer. Eu não sei. Tchau”. 

Assinado: o pai da criança (algumas vezes, infelizmente)

“Colega, você é especial. Foi escolhida por Deus pra cuidar do fulaninho. Portanto, sua vida deve girar em torno disso.”

Nada de férias sozinha com o marido, descanso, pensar em você mesma, se cuidar, ir ao cinema, pintar o cabelo. Fulaninho precisa de estímulos o tempo todo e você foi ES-CO-LHI-DA pra aguentar essa tarefa! Todo o dinheiro extra deve ir para o Fulaninho! Esqueça o seu lado mulher! Você é uma mãe especial!

Aquele olhar...

Aquele olhar…

Em resumo: esse discurso tem um lado nefasto, massacrante, desumanizador. Você não é mãe especial. É mulher, é mãe, ama o seu filho e quer o melhor pra ele. Ponto.

Então, colega, da próxima vez em que ouvir esse discurso e sentir que a pessoa está querendo te passar algum dos recados acima, mostre pra ela que especial é o seu PÉ que vai acertar em cheio a BUNDA de qualquer indivíduo desavisado que quiser te sujeitar ou segregar com base em uma frase bonitinha.

Não precisamos ser vistas como especiais. Muito menos nossos filhos. Precisamos ter nossos direitos – e os deles – respeitados.

FIM.

 

(Os conteúdos produzidos por Andrea Werner neste site e disponibilizados no site são protegidos por copyright e não podem ser reproduzidos, total ou parcialmente, sem autorização expressa da autora, mesmo citando a fonte)

Foto: Shutterstock

 

 

 

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Os melhores avós do mundo

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Quando falamos de vovó e vovô, há sempre dois pontos de vista: o dos netos e o dos pais.

Para o netinho ou netinha, casa dos avós vai ter sempre cheio de comida caseira pronta, de bolo quentinho. Li, um dia, uma frase de Mia Couto que diz que “cozinhar é um modo de amar os outros”. E, geralmente, dessa arte, as avós entendem muito bem. O que a criança quer é colo e conforto. Quer se sentir amada e acolhida. E isso vem através da comida quentinha da vovó também.

O vovô geralmente é o cara que brinca mais, que leva pra andar de bicicleta, que aguenta o netinho nas costas até quando der. Vovô é diversão.

A melhor coisa que um avô e uma avó podem fazer por seus netinhos é amá-los. Sem distinção. Sem preferências. Sem reservas. Amar tudo e apesar de tudo. Aceitar o netinho ou netinha que chegou de coração aberto. Acolher aquela criança no canto mais quentinho do peito e usar isso como um elixir de rejuvenescimento. Torcer por ela, vibrar com ela.

Tenho uma lembrança ruim de um avô que me deu um beliscão nas pernas porque subi em um portão. Lembranças que não vão…a vida é assim. Vô é pra ser diversão. Vô não devia rimar nunca com beliscão.

Para os netinhos, acolher é a palavra.

Quanto aos pais do netinho e da netinha, independente de ser um genro (ou nora), filho (ou filha), o que necessitam é apoio. Em todas e difíceis fases da maternidade e da paternidade pelas quais ambos os avós já passaram.

Necessitam da sensibilidade dos pais ou sogros quando o cansaço passar dos limites e ajuda for essencial. Os avós podem e devem ser os principais pontos de apoio dos pais da criança no momento do aperto.

Necessitam sentir que seus filhos são amados e aceitos com tudo e apesar de tudo. Querem sentir a presença de seus pais – os avós – na vida dos filhos: na lembrança do aniversário, no recadinho, no email, na ligação, no Skype/Facetime ou o que for possível quando, muitas vezes, a distância for um impecilho.

Necessitam se sentir respeitados em seus papéis de pai e mãe. Avô e avó NUNCA devem desautorizar os pais, principalmente na frente das crianças. Discordar é sempre normal, mas questionar as ordens ou a autoridade de um dos pais na frente da criança é daquelas coisas que dá um nó na garganta da gente. Se a mãe diz que não é pra comer o doce naquele momento, é assim que deve ser. Negociações podem ser feitas em outro momento, mas a criança nunca deve ser levada a entender que a mãe ou o pai não têm razão no que pedem ou ordenam.

E, acima de tudo, que vovô e vovó tenham a humildade necessária, para, às vezes, descer do pedestal das “várias décadas de experiência” e perceber que não foram pais perfeitos. Não existem pais perfeitos. Existem pais dispostos a melhorar. É fácil passar uma lista de regras para que os outros cumpram. Que tal tentar calçar os sapatos dos seus filhos, genros e noras? O que você cobra é factível? Você seria capaz de fazer o mesmo? Você já tentou ver a situação pela ótica do seu filho, filha, genro ou nora? Já pensou por que eles agem da forma que você não considera a ideal?

Compreensão. Entender que o rumo da vida do seu filho ou filha foi outro. A bagagem de informações que eles têm é outra. A formação emocional deles é diferente. As decisões que ele ou ela tomam com relação aos filhos não são vazias. Têm uma razão de ser. E eles tentam fazer o melhor. Aquela criança é a vida deles.

Conselhos são sempre válidos. Julgamentos de valor devem ficar de fora. Todos amam a criança. Todos querem o melhor para ela. Mas quem toma as decisões em última instância são os pais.

Amor, acolhimento e apoio. Assim se faz os melhores avós do mundo!

 

Nota: o texto não foi escrito para ninguém em especial. A inspiração veio dos vários emails de desabafo que recebo todos os dias.

 

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Imagem: Shutterstock

 

 

 

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Pupanique 2 e os pais que acordaram

Quando eu era pequena, crianças com deficiências eram coisa rara de se ver. Não iam à escola, mal saíam de casa. Lembro de uma amiga contar que tinha um primo autista que nunca via. Quando visitava a casa da tia, ele ficava trancado no quarto.

O próprio autismo não era muito conhecido por essa terminologia. Essas crianças eram conhecidas como “retardadas” ou “com problema mental”. O mesmo acontecia com as crianças com síndrome de down, que também recebiam apelidos nada carinhosos.

É um discussão do tipo “ovo ou galinha”. Será que a reclusão aumentava o estigma? Ou o estigma causava a reclusão?

Uma das coisas que qualquer pessoa nota quando vai à Europa ou aos Estados Unidos é a quantidade de cadeirantes nas ruas. E aí vem o mesmo questionamento: a acessibilidade das calçadas e do transporte coletivo propiciou essa saída de casa ou a saída forçou o Estado a adaptar as ruas e transportes?

Não estudei o assunto a fundo para dar a resposta. E não acho que a discussão do tipo “ovo ou galinha” é o mais relevante aqui. O que importa é o seguinte: as crianças com deficiências no Brasil NÃO vão mais ficar fechadas em casa. Ou, pra quem preferir, podemos ver desta forma: vai ter autista na rua SIM. Vai ter PC, down, e todos os outros. O espaço público também é deles por direito.

Se isso incomoda você, Clarisvalda, melhor rever seus conceitos. Ou, talvez, mudar de país. Porque os pais de crianças “diferentes” acordaram.

Como eu sei disso? O Pupanique, nosso piquenique inclusivo que aconteceu no último sábado, dia 8 de agosto, contou com o dobro do público este ano. O DOBRO. Seiscentas pessoas lindas, segundo a contagem oficial da Polícia Militar.

O Parque da Água Branca foi ocupado por estas famílias. Como muitas também têm filhos típicos, a cena foi linda de se ver: crianças de todos os tipos brincando juntas. Jogando bola. Dividindo os brinquedos e os lanchinhos.

Aaaaah, e o brilho nos olhos? Aquelas fagulhas que a gente só vê no ápice da alegria infantil foram frequentes na interação com os cães terapeutas e os cães policiais, os cavalos, o tão sonhado caminhão de bombeiros, os brinquedos ganhados no sorteio.

Seiscentas pessoas. Uma bagunça inclusiva deliciosa e quase impossível de traduzir em palavras para quem não esteve lá. Por isso, prefiro deixar essa tarefa para quem pode fazê-lo, com maestria, através de imagens.

O Pupanique não teria acontecido sem a ajuda de algumas pessoas que preciso citar. Muito obrigada, do fundo do coração, à Greice Verrone, Edilene Gualberto, Renata Lima, Fabiana Cardoso, Marina e Thiago Soares, e a toda a equipe de voluntários que me socorreram no dia! E um agradecimento especial ao cabo Maurício Verrone e a toda a turma do Quarto Batalhão da Polícia Militar! Vocês fizeram muitas crianças felizes!

E não posso deixar de agradecer às marcas que nos patrocinaram e tornaram o nosso encontro mais colorido, gostoso e cheio de surpresas!

Unilever: Baby Dove e Comfort Puro Cuidado

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Alpargatas: Havaianas

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Os fotógrafos: Anderson Rodrigues, Josi Santana e Luís Beraldo

As delícias: Maricotta Cupcakes, Confeitaria Dama e Lilóri

 

Encantando as crianças: Anima Party, Bocalan Brasil e Musicante

Presentes no sorteio: Toys & Fun, Sana Babies e Alcaçuz

Decoração e organização: Mania de Organização, Renata Lima e Mimos Patili

Vai ter piquenique inclusivo, SIM! Vai ter crianças de todos os tipos nos parques da cidade, SIM!

Ano que vem tem mais! A quantidade de gente pede por uma maior profissionalização e já estou analisando alternativas. Aguardem surpresas boas! 😀

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Mães e o apoio mútuo

mães e o apoio mútuo

Mulher está sempre fazendo coisa errada. Quando a gente é pequena, vira e mexe escuta “menina, não senta com as pernas abertas porque é feio”. Ou então “não ria alto assim porque é vulgar”.

Se usa saia comprida é carola. Se usa saia curta é puta. Se é estuprada, com certeza, estava no lugar errado, na hora errada, bebendo a coisa errada ou usando a roupa errada.

Se não trabalha fora é “madame que quer ser sustentada pelo marido”. Se trabalha muito e sobe na carreira é uma mãe ruim.

Se não quer ter filhos é egoísta. Se tem muito rápido é inconsequente. Se é abandonada pelo marido é porque não soube segurá-lo.

Se não consegue amamentar é porque não tentou o suficiente. Se o filho demora a falar, segundo o pediatra, é porque a mãe não o estimulou adequadamente. Se descobre que o filho é autista, ainda vai achar alguns psicólogos da era das cavernas pra falar que é porque não se esforçou o suficiente pra criar vínculo com ele.

Muita bagagem cultural injusta. Muita cultura machista imposta desde que somos pequenininhas. Culpa, culpa. Como eu ouvi de algumas pessoas, entre risos, quando eu era adolescente: “o homem pode não saber porque está batendo, mas a mulher, com certeza, sabe porque está apanhando”.

Outra história da carochinha que vem com essa bagagem é a tal rivalidade feminina. Escutamos, desde pequenas, que mulher não é bicho confiável. Que mulher briga, que uma passa a perna na outra. Ai, que medo a gente desenvolve das nossas pares.

Aqui já vai um spoiler: existem pessoas ruins. Pessoas não confiáveis. Pessoas que passam a perna. Isso não é nem nunca foi exclusividade do sexo feminino.

Pois bem. Estou aqui pra falar que, do alto dos meus (quase) 40 anos, estou chegando à conclusão que mulher é, muito pelo contrário, um bicho porreta! Por tudo isso aí em cima que a gente aguenta desde pequenas e muito mais.

Peguemos o caso do diagnóstico de um filho com alguma deficiência. Existe coisa mais linda que a rede de apoio formada pelas mães? E, antes que alguém venha me perguntar “cadê os pais nessa história”, isso é outro assunto e nem vou entrar no mérito da questão. Estou aqui para falar das mães. :)

Assim que tive o diagnóstico do Theo, me joguei na internet desesperada atrás de informação. A primeira coisa que achei foi um grupo no Yahoo Groups chamado “Asperger”. Eu nem achava que o Theo era Asperger, mas aquilo era o que eu tinha de mais próximo para acessar. E foi ali que conheci a Renata Oda. Ela foi a primeira mãe com quem troquei figurinhas, comparei sintomas, comparei históricos.

Em algum momento, caí em outro grupo. E, ali, conheci a Gislaine Thomal. Descobrimos que trabalhávamos perto e combinamos um almoço. Acabei apresentando a Renata para a Gislaine, trocamos vários pitacos sobre as terapias dos respectivos filhos, desabafamos muito.

E, através da Gislaine, conheci a Marie Dorion, a Tatiana Ksenhuk, a Haydée Jacques e toda a turma tão especial do A-Mais São Paulo. Descobri que éramos muitas.

Aprendi mais nas palestras da Marie do que com qualquer médico. Inspirei-me a ajudar os outros observando a Tatiana. E fui adquirindo, aos poucos, serenidade com relação ao futuro com a Haydée, que já tem um filho adulto com autismo.

E aí veio o blog. E mães começaram a me seguir e a interagir. E fui conhecendo tanta gente maravilhosa que fica difícil citar uma sem esquecer outra e ser injusta. Fiz amigas de verdade via redes sociais. Amigas pra chorar junto, pra desabafar. Amigas prontas pra ouvir um mimimi a qualquer hora do dia, prontas para dar uma sugestão ou uma solução para o problema pelo qual eu estava passando.

Amigas pra me mostrar outro ponto de vista, outro ângulo do autismo, outra abordagem que eu nem sabia que poderia fazer sentido.

Amigas que se ajudam do jeito que der: uma palavra de conforto, uma vaquinha, uma visita, um áudio emocionado no whastapp.

Somos fortes. A vida nos exige isso.

Somos mais fortes quando juntas. Quando uma fraqueja, há 10 mãos para ajudar a sustentá-la.

Ah, essa mulherada! Cada culpa jogada, cada dedo apontado vira um quadradinho da colcha de retalhos que a gente costura, diariamente, para acolher uma à outra nos invernos da vida. Nenhum estranhamento ou divergência vai ser superior a isso. Nenhuma lenda urbana sobre as  “mulheres traiçoeiras” vai apagar o brilho dessa rede de apoio tão linda e fundamental na nossa caminhada.

 

Imagem: Shutterstock

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Os 8 anos mais loucos e felizes da minha vida

Ela era mineira, tinha morado por 3 anos em São Paulo e, no momento, por motivos profissionais, morava no Rio.

Ela tinha viagens profissionais quase que semanais a São Paulo. Em uma delas, uma amiga a convidou para uma “balada”. Era uma quinta-feira e ela não estava lá muito motivada, mas acabou indo ao tal Asia 70. Chegando lá, a amiga foi em direção a 3 rapazes. Ela foi junto e notou que conhecia um dos 3, pois tinham trabalhado juntos há alguns anos. Todos ali eram “crias” da mesma multinacional. Inclusive o rapaz de camiseta vermelha, bem sorridente, que segurava um copo com uma vodca preta (??). Conversa vai, conversa vem, a moça descobriu que o rapaz da camiseta vermelha tinha entrado na tal multinacional logo após ela sair de lá. Que coisa, né?!

Esse rapaz da camiseta vermelha era paulistano e nunca tinha morado fora da capital. E ele e ela se gostaram tanto que, após essa balada, começaram um namoro à distância, se vendo todas as semanas às custas das viagens que ela fazia a trabalho e dos pulinhos que ele dava no Rio de Janeiro. E, aos 4 meses de namoro, no meio de outra balada no Rio de Janeiro, ele a pediu em casamento. Ali, em meio ao barulho da música e sob o efeito de alguma bebida, ela achou que ele estava viajando na maionese. Mas ele, do alto dos seus 25 aninhos, falava muito sério com a moça de 30.

Nos primórdios do namoro

Nos primórdios do namoro, com a mesma camiseta vermelha

Essa moça sou eu. Conheci o rapaz da camiseta vermelha – o Leandro – em janeiro de 2006. Em Junho do mesmo ano, eu já estava me mudando de volta pra São Paulo. Em Agosto, já morávamos juntos. E, um ano depois, no dia 21 de julho de 2007, nos casamos sob os olhares queridos de nossa família e amigos. (Crianças, não tentem isso em casa!). :)

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Um amor relâmpago, um filho relâmpago. Logo após voltar da lua de mel, já engravidei daquele que viria a ser o Theozão. Theozão dispensa apresentações, né?!

Já passamos por muita coisa juntos. Muitos países. Muitos problemas. Muitas turbulências. Acho que muitos casais não estariam mais juntos sob as mesmas circunstâncias. Mas a gente briga com unhas e dentes pelo nosso casamento e a nossa família porque nos amamos muito. E, também, porque temos o Theozão.

Sabemos que nos completamos com todos os nossos defeitos, manias e esquisitices. Sabemos que um casamento é construído e sustentando no dia a dia. Sabemos pedir desculpas, conversar quantas vezes for necessário, brigar, se acertar, fazer as pazes.

Sabemos que casamento é coisa difícil. São duas pessoas com criações diferentes, manias diferentes, jeitos diferentes de lidar com as emoções. Sabemos que cada um veio, também, com sua bagagem emocional adquirida em relacionamentos passados, e que nem sempre o outro vai saber curar ou remediar tudo isso. E será que deveria saber?

Sabemos respeitar o espaço um do outro. Sabemos cuidar, dar carinho, colo, dar presentes de vez em quando, tirar um tempo só pra nós sempre que possível, cultivar a parte do namoro.

Sabemos que não existe casamento perfeito e que todos passam por fases difíceis.

Sabemos que, enquanto houver amor, há esperança.

Sabemos muita coisa, mas ainda falta muito. E é pra isso que temos o resto das nossas vidas!

Amo você, rapaz da camiseta vermelha! Amo nossa família! Muito obrigada pelos 8 anos mais loucos e felizes da minha vida!

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10 dicas para médicos que têm pacientes autistas

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O blog tem crescido e atraído, também, a atenção dos profissionais da saúde.

No início da semana, recebi uma mensagem de um estudante de medicina pedindo dicas para que os pediatras possam atender melhor as crianças autistas. Acho que as dicas não servem só para os pediatras, mas para qualquer profissional da área médica que atende esses pacientes especiais.

É importante contar que esse post foi colaborativo! Perguntei, na fan page, que dicas as mães dariam para os pediatras e voilá! Aí estão as mais citadas!

1. Informe-se sobre o autismo

Sabemos que a faculdade de medicina não dá a carga necessária de informação sobre o autismo, um transtorno que afeta 1 em cada 58 crianças segundo a estatística americana. Portanto, ainda cabe a você, profissional, correr atrás e se informar a respeito. AQUI tem um resuminho bom para começar.

2. Seja pontual…ou dê a prioridade.

Imprevistos acontecem, emergências também, principalmente pra quem é médico. Mas uma das maiores dificuldades das mães de autistas é que eles têm uma tolerância muito menor que a das crianças típicas para esperar. É uma tortura! Portanto, se for atrasar, que tal passar o(s) paciente(s) autista(s) na frente da fila? A prioridade no atendimento vai ajudar a melhorar a situação.

3. Evite o jaleco.

Foi relatado por várias mães que as crianças autistas começam com as crises de pânico já ao ver o jaleco do médico. Dá pra evitar usar? Isso vai poupar uma dor de cabeça!

4. Tenha brinquedinhos sensoriais no consultório.

Fonte: http://bit.ly/1gEVtj7

Fonte: http://bit.ly/1gEVtj7

Bolinhas de diferentes texturas, massinha (sem perfume), garrafinhas com líquido e purpurina, você pode até improvisar algumas você mesmo. Dei umas dicas sobre isso no item 5 desse post AQUI.

Você pode, também, perguntar para a mãe se a criança gosta de música e colocar cantigas infantis tocando bem baixinho.

5. Antecipe suas ações.

Autistas temem o imprevisível. Se você antecipar, pode diminuir bastante o stress deles. Como são muito visuais, a melhor forma de fazer isso é montar um quadrinho assim:

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O quadro azul com o “primeiro” e “depois” você imprime e plastifica. As fotos que vão nos espaços têm velcro atrás para poderem ser trocadas. Fácil, né?!

6. Não fale com a mãe como se a criança não estivesse ali.

Eles podem não falar. Eles podem fazer mil e um barulhinhos enquanto você fala. Mas estão sempre ligados no que está acontecendo. Fale com eles, mesmo que eles pareçam não prestar atenção.

7. Avise sempre que for tocá-lo com a mão ou um objeto.

A maioria dos autistas tem muita rejeição ao toque de desconhecidos. Essa vai ser a parte mais difícil, com certeza. Avise sempre, explique de forma curta e simples para que serve, mas esteja preparado para a resistência mesmo assim. Alguns exames, por mais bobos que pareçam, são bem difíceis para eles porque eles sentem tudo de forma diferente. Enfiar um aparelhinho no ouvido, para o meu filho Theo, é uma tortura, e ele precisa ser contido por duas pessoas para que o exame aconteça. Tenha paciência que tudo se ajeita.

8. Evite a maca sempre que possível.

Meu filho já colocou na cabeça que “coisas ruins acontecem quando se deita na maca”. Pelo que li nos comentários das outras mães, isso é bem comum. Portanto, se der para o exame ser feito na cadeira ou no colo da mãe, abra essa exceção.

9. Fale baixo.

Lembre-se que muitas dessas crianças são muito sensíveis a sons altos.

10. Paciência e empatia, sempre.

Lembre-se que aquela mãe e aquela criança estão tão desconfortáveis com a situação quanto você. Provavelmente até mais. Se a criança chorar e se debater, não é birra: é um incômodo real que só ela sabe como é difícil de lidar. Seja paciente, vá devagar, tente de novo, tente de outra forma, deixe o exame mais difícil por último. Essa é sempre a melhor forma de ajudar!

(Os conteúdos produzidos por Andrea Werner neste site e disponibilizados no site são protegidos por copyright e não podem ser reproduzidos, total ou parcialmente, sem autorização expressa da autora, mesmo citando a fonte)

 

Fotos sem créditos: Shutterstock

 

 

 

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